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Futebol em Pernambuco, como sair da crise?

O futebol pernambucano está passando por um dos piores momentos da sua história.


Homem de terno com prancheta de futebol cobrindo o rosto
Superar a crise no futebol de Pernambuco requer ações eficazes dos dirigentes


A pergunta, no título, é mais uma daquelas do milhão. O futebol em Pernambuco, que já teve incontáveis momentos de glória, está passando por um dos piores momentos da sua história. Nossos clubes já proporcionaram conquistas nacionais que muito nos orgulhávamos. A expressão “Leão do Norte” se encaixava bem para louvar as nossas conquistas, também no futebol. O caminho da volta para novos e gloriosos tempos, como a volta à elite nacional, é longo e difícil. Pessimismo? Não. Sou um “realista esperançoso”, como dizia Ariano Suassuna.

O maior reflexo da crise é a não participação dos nossos clubes na principal competição nacional, o Campeonato Brasileiro da série A.


Passados 20 anos do sistema de pontos corridos, iniciado em 2003, foram 2 participações do Santa Cruz (a última em 2016), atualmente fora de qualquer série das competições nacionais; 5 participações do Náutico (a última em 2013), atualmente na série C; e 11 participações do Sport (a última em 2021). Em 2024 o rubro-negro pernambucano vai disputar a série B pelo terceiro ano consecutivo. Nesse período, dos pontos corridos, em cinco ocasiões, Pernambuco pode contar com dois representantes. Um luxo, comparado com os dias atuais. Foram nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2012, com Sport e Náutico e no ano de 2016 com Sport e Santa Cruz.



Outra informação a ser destacada nesse momento de crise, é a participação de jogadores pernambucanos na série principal do campeonato brasileiro. Em 2020, eram 22 atletas pernambucanos disputando a série A, sendo 7 atuando pelo Sport, que estava competindo. Em 2023, o número de pernambucanos na competição caiu para 7. No Nordeste, Pernambuco ficou à frente apenas do estado de Sergipe, com 3 jogadores. O ranking do Nordeste ficou assim: Bahia (34), Ceará (12), Maranhão (12), Rio Grande do Norte (11), Alagoas (10), Paraíba (10), Piauí (7), Pernambuco (7) e Sergipe (3).  



Esses são dados que precisam ser considerados pelos dirigentes dos clubes e Federação Pernambucana de Futebol. Os clubes do estado não têm histórico de sucesso na formação de jogadores. Dos clubes pernambucanos, apenas o Retrô, o Sport e o Náutico, mais recentemente, possuem certificado de clube formador. Isso traz vantagens importantes para o clube. Quando a gestão e os investimentos na base são bem aplicados, o surgimento de bons jogadores significa um ativo financeiro importante.

Em 2023, a soma dos investimentos na formação da base dos 20 clubes que disputaram o Campeonato Brasileiro da série A foi de 222 mi. Isso significa uma média de 11 mi por clube.


Há uma ideia corrente entre pessoas ligadas ao futebol de que “o craque nasce feito”. Tal conceito teve prazo de validade vencido e não é encontrado nem nos textos mais simples na literatura sobre formação de talentos. Para aqueles que conservam a ideia do nascido craque, pouco adiantaria insistir em formar jogadores. As tradicionais “peneiras” têm como fundamento a crença de que o craque vai aparecer ali, nos poucos minutos de participação do garoto no treino.


“Acorda, amor. Não é mais pesadelo nada” (Chico Buarque)


Onde está (ou tem) o dinheiro? A crise nas finanças

A busca dessa resposta é, sem dúvida, o começo do caminho. Nossos clubes têm uma longa história de crise, causada pela falta de consideração a princípios básicos no trato com as finanças. Gasta-se mais do que se arrecada e gasta-se mal.

Os três clubes devem, somados os valores, 646 mi. O Sport (258 mi), Santa Cruz (222 mi) e Náutico (166 mi). Os clubes entraram com pedido de Recuperação Judicial no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o Santa Cruz (22/9/2022),  Náutico (13/2/2023)  e Sport (20/3/2023). Após o pedido, os clubes têm um prazo de 180 dias para apresentar o Plano de Recuperação Judicial (PRJ). Após as várias fases do processo, acordos, muita burocracia e lentidão no judiciário, se inicia o cumprimento do pagamento das dívidas com os credores. Na prática, é impossível fazer qualquer previsão de quando isso ocorrerá. 




Basicamente, a RJ consiste numa negociação coletiva entre o devedor e seus credores, cujo resultado se materializa num PRJ, o qual contém as novas condições e formas de pagamento aos credores. Entre as vantagens estão: dívidas cíveis e trabalhistas suspensas por 180 dias; e execuções contra o clube (como o leilão da sede) são suspensas.


As SAFs salvam? (Sociedade Anônima do Futebol)


Os clubes de futebol no Brasil têm recebido tratamento especial e menos rigoroso por parte do Estado, no que diz respeito as suas dívidas, sob a alegação da importância sociocultural do esporte. Devido à influência política dos clubes de futebol (a “bancada da bola” no Congresso é um exemplo), são criados programas de refinanciamento tributário vantajosos sempre que a situação aperta.

A Lei da SAF surgiu com a finalidade de auxiliar os clubes a se tornarem solventes, ou seja, capazes de pagar as dividas de longo prazo, mais bem estruturados e não mais dependentes da boa vontade do Estado.

A Lei da SAF dispõe de duas medidas para equacionar os passivos dessas entidades: 1) garante a legitimidade dos clubes, ainda que constituídos como associações civis sem fins lucrativos, para requererem  o uso dos instrumentos de recuperação previstos da LRF (Lei 11.101/2005 , a Lei de Recuperação e Falência brasileira. 2) O instrumento previsto na Lei, RCE (sigla para Recuperação Judicial Extrajudicial) que, em síntese, trata-se da organização de filas de credores trabalhistas e cíveis para que possam ser pagos ao longo de determinado período. 


Enfim, a LEI da SAF, pode ser benéfica aos clubes, desde que aprimorem as formas de gestão, alinhadas com o que há de moderno no mundo. Portanto, adotar a SAF, per si pode não significar a redenção sonhada pelo torcedor e pelos aficionados pelo futebol. Resta aos dirigentes dos clubes e Federação Pernambucana de Futebol encontrar a sáida para dias melhores para o futebol estadual. Reerguer o status ao mais alto nível nacional vai requerer a atualização da gestão e encontrar caminhos para resolver a questão fianceira dos clubes.

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