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O Gigante da Imbiribeira - O Geraldão

A inauguração do ginásio e o gol fabuloso de João de Deus



O Ginásio


O Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, também conhecido por “Geraldão” ou “Gigante da Imbiribeira”, .foi inaugurado em 12 de novembro de 1970, durante a gestão do prefeito do Recife Geraldo Magalhães Melo,

O ginásio foi projetado pelo engenheiro-arquiteto-urbanista Icaro de Castro Mello nascido em São Vicente, São Paulo, em 1913 (faleceu em 1986). O arquiteto era esportista, especialista em salto em altura, salto com vara e decatlo, detentor de recordes nestas modalidades, campeão paulista, brasileiro e sul-americano, tendo se dedicado também à natação, tênis e vôlei. Participou das Olimpíadas de Berlim, em 1936, integrando a equipe brasileira de atletismo.

Icaro de Castro Mello ocupa na história da arquitetura moderna brasileira uma posição especial por ser um exemplo entre profissionais que se dedicaram a uma temática específica, nesse caso a arquitetura esportiva. Entre outras obras projetadas para o esporte estão o Ginásio do Ibirapuera, de 1952, cujo modelo estrutural foi reproduzido para o Geraldão e o Ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza (1971).


E qual a capacidade do Paulo Sarasate?


Por citar o Paulo Sarasate, tenho essa pequena história sobre a eterna rivalidade entre recifenses e fortalezenses, ou pernambucanos e cearenses. A equipe de futsal do Santa Cruz, que eu atuava como treinador, e contando com os ex-alvirrubros Chico, Paulo, Mirinda, João de Deus, entre outros, foi participar de um torneio em Fortaleza, com os jogos sendo realizados no Ginásio Paulo Sarasate. Curioso, perguntei a um dos funcionários graduados do ginásio qual a capacidade do equipamento. A resposta dele: “A capacidade do Paulo Sarasate eu não sei, mas que é maior que o Geraldão do Recife isso é.” Eu não precisei perguntar mais nada.


O jogo Seleção Pernambucana x Fluminense (RJ)

Após as solenidades de praxe, a programação no dia da inauguração teve como atrações principais o show do cantor Wilson Simonal, um dos cantores mais populares no Brasil nesse período e a partida de futebol de salão, hoje chamado futsal, entre o Fluminense, do Rio de Janeiro, e a seleção pernambucana.


Eu era adolescente, morava na Avenida Perimetral, hoje Avenida Recife, na Estância. Eu estava no Geraldão, na arquibancada superior, no dia em que foi inaugurado. Lembro do ginásio completamente lotado. Lembro-me, melhor do que a solenidade e o show de Simonal, do jogo entre o Fluminense e a seleção pernambucana, que tinha como base o time do Náutico, de tantos títulos na história desse esporte. A nossa seleção goleou os cariocas por 4 x 1. Foram 3 gols de Pereira e 1 gol de João de Deus. Pereira, na época, era estudante de engenharia e colaborou como estagiário da construção da obra.


O último dos 4 gols marcados é que nunca saiu da minha memória, nem de tantas outras pessoas que estiveram presentes na ocasião. Sou capaz de descrever aquele gol até hoje. Antes de escrever este texto, conversei com os jogadores João de Deus, Ranulfo e Saulo, para rememorar o jogo e o último gol.


Apesar do placar de 3x1 para os pernambucanos, o jogo estava bem disputado. Numa saída de bola, nosso goleiro Joaquim passa para Ranulfo, que faz o passe para João, do lado esquerdo da área. João domina a bola e parte para cima do marcador adversário, com jogo de corpo e um drible tipo “elástico”, uma das melhores habilidades dele ao longo da carreira, deixou o adversário perdido e partiu em velocidade em diagonal, quando o “fixo” tentou roubar a bola e se deu mal. Restava o goleiro que saiu desesperado do gol, e da área, para barrar o nosso “ala esquerda”, sendo também driblado, e ficado no chão assistindo João chutar forte e a bola entrar na rede. Nosso saudoso amigo Betoca escreveu o seguinte sobre esse momento: “João só não entrou com bola e tudo no arco adversário porque a regra não permitia” (o gol só era válido se o chute fosse de fora da área).


Como diria um locutor esportivo, “o ginásio quase veio abaixo”, exatamente no dia da inauguração. Sou testemunha de outra frase de Betoca: “Na saída (do ginásio) o público que lotou o novo equipamento, em vez de comentar a grande exibição do artista (Wilson Simonal), somente lembrava o gol de João de Deus. O outro show, o de Simonal, foi apenas um complemento.” Esse tal golaço, não tira o mérito da atuação de Pereira, artilheiro da partida com 3 gols, mas só alguns lembram disso.


De pé (E-D) Joaquim, Fêo, Cleiton, Valdeck, Saulo e Armando (treinador); Agachados (E-D) Helinho, Seul, Pereira (autor do primeiro gol na historia do ginnásio), Ranulfo, João de Deus e Geo.


Testemunha desse momento importante para o esporte e para o entretenimento da cidade, eu adolescente, jamais poderia imaginar que viria a enfrentar, como jogador e depois treinador de futsal, João de Deus e seus companheiros de equipe. Quis o destino, entretanto, que eu viesse a me tornar parceiro deles, com muita honra, na condição de treinador, no Santa Cruz e na seleção pernambucana anos depois.

PS. Minha homenagem ao amigo Betoca (Gilberto Prado), por tudo que ele representou para o jornalismo e o esporte pernambucano. Nesse momento que escrevo, sinto a sua falta, pois tive o privilégio de tê-lo como incentivador e revisor (amigável) de textos que escrevi.

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