Olimpíadas Rio 2016. A candidatura vitoriosa
- ALDEMIR TELES

- há 6 dias
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Atualizado: há 1 dia
Rio de Janeiro é escolhido a sede da Olimpíada 2016

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A conquista da sede: o dia em que o Brasil acreditou no (quase) impossível
O ano de 2016 iniciou com a expectativa da realização, no Rio de Janeiro, dos XXXI Jogos Olímpicos. O sonho começou a se concretizar em 2 de outubro de 2009, na cidade de Copenhague. O Brasil viveu um dos momentos mais simbólicos da sua história esportiva. O anúncio do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 não foi apenas uma vitória esportiva: foi uma declaração de ambição nacional. Um gesto de confiança num país que, à época, vivia um raro momento de estabilidade política, crescimento econômico e projeção internacional. A vitória encerrava um ciclo de tentativas desde 1936 e colocava o país no seleto grupo que recebeu, em sequência, Copa do Mundo e Olimpíada num prazo de dois anos.
O clima da vitória
A candidatura brasileira venceu cidades poderosas — Madri, Chicago e Tóquio — e surpreendeu o mundo. Madri e Rio de Janeiro chegaram à final, vencida pela candidatura brasileira com mais de 2/3 dos votos. O então presidente Lula chorou ao ouvir o resultado e declarou que o Brasil abandonaria seu “complexo de inferioridade”.

Para o presidente Lula, a conquista da sede das Olimpíadas sinalizava que estávamos próximo do paraíso. “No fundo, a Olimpíada e a Copa são oportunidades para que possamos tentar resolver os problemas sociais”, afirmou ele.
A campanha brasileira combinou estratégia política, forte investimento público e privado e um componente emocional que marcou a apresentação final. As garantias do governo brasileiro foram cerca de cerca de 29,5 bilhões de reais.
O contexto político e econômico
Em 2009, o Brasil vivia um período de otimismo. Lula tinha 84% de aprovação, segundo a CNT/Sensus, e o país era visto como potência emergente. Mesmo com a queda do PIB naquele ano, o discurso oficial era de confiança. A frase emblemática do presidente Lula simbolizava a confiança: “A gente não tem que olhar quanto vai gastar, tem que olhar quanto a gente vai ganhar.”
Esse ambiente alimentou expectativas elevadas. A Olimpíada era vista como catalisadora de desenvolvimento urbano, social e esportivo. Lula prometia um plano nacional para elevar o Brasil no quadro de medalhas e afirmava: “É um momento de ouro para que, nesse clima de Olimpíada, possamos fazer o que não conseguimos até agora.”
O esporte brasileiro diante do desafio
Terminada a festa e passada a ressaca era preciso refletir sobre a realidade do esporte no país. Havia tempo carecíamos de uma política de esporte consistente, com objetivos claros e prioridades bem definidas. Não tínhamos um projeto de fomento à cultura esportiva, especialmente nas escolas. Também não tínhamos infraestrutura adequada para atender à formação de atletas. Atletas como Hortência e Guga reforçavam a crítica:

“Atletas temos muitos, e com bom potencial. O que não temos é estrutura. É nisso que as nossas autoridades têm que pensar, urgentemente. Ou seja, em criar uma estrutura para desenvolver o nosso esporte”, (Hortência). “Temos talentos no Brasil, mas eles são mais resultado de uma pessoa acreditar em si e fazer um trabalho individual”. (Gustavo Kuerten, Guga)
O olhar internacional
A vitória brasileira também refletiu um movimento global. O COI buscava descentralizar geografias olímpicas e ampliar a representatividade. Os Jogos seriam realizados pela primeira vez na América do Sul. O Rio simbolizava essa expansão. Ao mesmo tempo, crescia no mundo a resistência a megaeventos. A população de Hamburgo, Alemanha, após plebiscito, se recusou a sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2024.
Os motivos principais da resistência dos cidadãos são os custos altos e imprevisíveis, e a desconfiança em relação ao organizador do evento, o COI, capaz de obter altos lucros com durante o evento, enquanto a cidade sede e o país têm que arcar com os elevados custos da organização. No Brasil, não temos tradição para a realização de referendos desse tipo, embora a realização de grandes eventos traga implicações de várias ordens para a população, para o bem ou para o mal. Mas em 2009, o Brasil surfava outra onda: a da confiança.
A pesquisa (não referendo) do IBOPE, realizada em setembro de 2015, revelou que 73% dos cariocas aprovavam os Jogos Olímpicos. Isso a menos de um ano para a realização do megaevento.
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Por que revisitar esse momento agora?
Dez anos após os Jogos, revisitar o anúncio da sede ajuda a entender o tamanho das expectativas que moldaram o projeto Rio 2016. A euforia daqueles dias contrastam com o balanço atual dos legados — alguns concretos, outros frustrados.
E para você, qual foi o verdadeiro legado da Rio 2016? A promessa de 2009 se traduziu na realidade da sua cidade ou do seu esporte? No próximo artigo desta série especial de 10 anos, vamos analisar em detalhes o contraste entre os legados urbanos e ambientais prometidos e o que realmente ficou para a população.
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