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A morte de Cruyff e a Vitória contra o Brasil




O ex-jogador e lenda do futebol mundial Johan Cruyff, 68 anos, morreu na última quinta-feira 24 de março, em Barcelona, de câncer de pulmão. Era um atleta dedicado, mas fumante durante a maior parte da carreira esportiva, o que certamente deve ter contribuído com o surgimento da doença. O jogador só largou o cigarro por insistência da mulher Danny, há vinte anos.

Um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, Cruyff é comparado a outros grandes como Di Stéfano, Puskás, Garrincha, Pelé e Beckenbauer. O ex-jogador foi vencedor de prêmios Bola de Ouro (1971, 1973 e 1974).

Órfão aos 10 anos, Cruyff propôs-se ser milionário aos 30. Em toda a sua vida situou-se como exemplo edificante, seja pelo talento de atleta, seja pela consciência profissional.


“A fama dos pés nunca lhe subiu à cabeça, como às vezes acontece com os ídolos do futebol”, dizia Armando Nogueira, referindo-se ao holandês. Em seu único livro publicado, Futebol Total, o ex-jogador já antecipava que seria o primeiro e também o último a ser escrito.


"Devo confessar aqui, nesta primeira página, que Deus não me chamou para o caminho das letras. Entre as inúmeras coisas que não sei fazer, ou que faço mal escrever é uma delas”, diz com humildade.


O livro foi publicado logo após a Copa do Mundo da Alemanha, de 1974. No texto, ele relata todos os jogos do “carrossel holandês” naquela Copa, Entre eles, o jogo contra o Brasil. Mesmo assustados com a fama dos brasileiros, e ao perceberem que não tinham motivos suficientes para temer a nossa seleção canarinha, os holandeses partiram para decidir o jogo.

Holanda 2 x 0 Brasil

Copa do Mundo da Alemanha, 1974. A Holanda participava pela primeira vez, desde 1938, do mundial de futebol. A fama do futebol holandês se resumia até então as equipes do Fyenoord vencedor da Copa da Europa em 1970 e o Ajax, que havia conquistado o tricampeonato dessa mesma Copa em 71, 72 e 73 e onde atuava Johan Cruyff.


A Holanda estreou no mundial vencendo o Uruguai por 2 a 0 no dia 15 de junho. A forma surpreendente de jogar dos holandeses de imediato chamou a atenção de todos. O zagueiro uruguaio Bargas, ainda atônito disse que os holandeses desencadeavam uma vertigem total, viam-se camisas laranjas por todos os lados, “há um goleiro e dez jogadores que fazem tudo”.


Após conquistar o primeiro lugar na chave, a Holanda já tinha conseguido o status de forte favorita ao título e passou a ser conhecida como o “carrosel holandês” ou a “laranja mecânica” pela magia e encatamento do futebol que apresentava. Na segunda fase do torneio, após vencer a Argentina por 4 a 0 e a Alemanha Oriental por 2 a 0, era a vez de enfrentar o Brasil. O jogo aconteceu no dia 3 de julho de 74, em Dortmund. O Brasil havia conquistado o tricampeonato mundial no México, em 1970, mas esse foi o primeiro mundial do Brasil após a era Pelé. Os especialistas falavam em entressafra de bons jogadores, o que se confirma se considerado o jejum de vinte e quatro anos sem o título, só reconquistado em 1994 nos Estados Unidos.


Cruyff, no livro citado, comentou a partida contra o Brasil de forma interessante. “Brasil: um só nome evoca a imagem de um gigante do futebol, um time legendário, um mito”, diz o craque holandês. Ele confessa, com humildade, que tinha sérias reservas quanto a possibilidade de vencer o jogo e havia uma certa dose de nervosismo. Conta que os primeiros vinte minutos foram os mais difíceis para a equipe laranja, “parecia que a sombra do gigante sul-americano pesava sobre o nosso ânimo”.


Passados cerca de trinta minutos e depois de muitas dificuldades diante da serenidade dos brasileiros em controlar o ímpeto dos holandeses, eis que o capitão da equipe, o mesmo Cruyff, comandante, maestro, resolve, num lampejo, esquecer o temor e jogar fora o complexo de estar à frente dos invencíveis, liderando os companheiros para a conquista da vitória.


“Perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem dúvida são e significam na história do futebol”, disse o capitão da equipe holandesa.


O primeiro gol holandês, marcado por Neeskens, após o passe de Cruyff, surge aos cinco minutos do segundo tempo. Cruyff, aos vinte minutos, define o placar com o sgundo gol. Holanda, finalista, 2 x 0 Brasil. Zagalo, nosso treinador, que havia dito ironicamente que não conhecia Cruyff e apenas o refrigerante Crush, popular na época, declarou após o jogo: “Caímos diante de um time de primeira classe”. O Brasil viria a perder também da Polônia por 1 x 0, tendo ficado com o quarto lugar.


A Holanda apesar de ter encantado o mundo perdeu a final para a Alemanha, comandada por outro gênio o “Kaiser” Franz Beckenbauer, por 2 x 1.

Ficou a impressão de que a seleção holandesa não conquistou o mundial, mas conquistou o mundo, sendo cortejada como uma espécie de namorada de todas as torcidas.


As equipes: BRASIL – Leão, Zé Maria, Luís Pereira, Mário Marinho, Francisco Marinho, Paulo César Carpegiani, Rivelino, Paulo César Lima, Valdomiro, Jairzinho e Dirceu.

HOLANDA – Jongbloed, Suurbier, Rijsbergen, Hann, Krol, Jansen, Neeskens, Van Hanegem, Rep, Cruyff e Resenbrinck.

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