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Futebol e Teoria da Mente. Qual a relação?


O recente gol do Barcelona após a cobrança de pênalti em dois toques, de Messi para Luis Suárez, (vídeo) relembra o outro gol marcado pelo Ajax, de Cruyff. Ações como essas, pouco comuns no futebol, é que fazem a magia desse esporte, pela surpreendente criatividade, inteligência e a beleza estética do momento. Embora o que importe para o público é a beleza do lance e a alegria que o instante provoca, entendemos que uma "pitada" de ciência não vai ofuscar em nada o encantamento do apaixonado pelo esporte; e ao mesmo tempo podemos estar contribuindo para um melhor entendimento da mente humana nesse campo específico do esporte.

A Teoria da Mente (ou Cognição Social) são conceitos elaborados nas neurociências, especialmente nos campos da psicologia e da psiquiatria, mas raros no campo esportivo.

Esse mecanismo da nossa cognição está presente nas várias situações do nosso cotidiano, mesmo estando, na maioria das vezes, fora do alcance da nossa consciência e da nossa compreensão.

Em termos gerais, a Teoria da Mente (Theory of Mind), são mecanismos cognitivos que dão origem a nossa capacidade de inferir estados mentais dos outros, que dependem tanto de processamento, que pode ser descrito como seleção das informações do ambiente, quanto do processamento descrito como criativo.


A função principal dos vários processos que estão envolvidos na teoria da mente é nos permitir prever o que as outras pessoas vão fazer. Entre as formas de inferir sobre a ação do outro, a primeira é o conhecimento sobre as pessoas. Por exemplo, os estereótipos. No esporte, significa conhecer as habilidades ou os pontos fracos do adversário; a forma costumeira de agir em certas situações; as intenções demonstradas nos gestos e a intenção em outras formas de comunicação.

Uma característica especial no esporte é o “diálogo silencioso” entre as mentes, tanto dos companheiros de uma mesma equipe, quanto dos adversários, no sentido de tentar inferir todo o tempo qual será a ação do outro nas várias situações. Nesse sentido, os dribles, as fintas, as variações táticas, por exemplo, são recursos utilizados para induzir o outro ao erro. Ou seja, fazê-lo pensar e agir de acordo com a intenção inicial demonstrada no movimento, induzindo-o ao erro, para facilitar a próxima ação.

No caso dos pênaltis cobrados por Cruyff, Messi e companheiros ocorre exatamente a indução ao erro do goleiro, que é surpreendido com a cobrança do pênalti em dois toques, raras no futebol. Os jogadores das equipes que tomaram o gol também foram surpreendidos, não tendo tempo para agir. A cobrança do pênalti, claro, já havia sido combinada.


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